18 de abril de 2014

Devaneios Noturnos VI

Engraçado como uma folha em branco às vezes assusta... E essa não é a primeira vez que isso acontece. Essa angústia, essa necessidade de escrever sobre algo, sem saber ao certo sobre o que "falar"...
Às vezes é só a necessidade de por para fora, de tentar expressar de alguma forma isso que tá aqui dentro e incomoda tanto...

O problema é que a folha assusta por não conseguir organizar as ideias e pensamentos de maneira que tenha alguma coerência quando escritos... 
Faz sentido?

A sensação que eu tenho é que nada mais faz... Há algum tempo já eu tenho essa sensação... De não conseguir pensar e refletir de forma coesa os meus planos e sonhos. Talvez se fizesse isso, conseguiria arrumar alguma forma de pô-los em prática mais rápido...
Escrever hoje significa me aliviar um pouco desse peso todo que ando carregando... Ultimamente eu ando mais cansada que o normal, mais reservada que o normal, mais estranha que o normal (se é que isso é possível). Não era para ser estranho afinal.. Eu já me acostumei de certa forma a ser assim... Mas de uns tempos pra cá, as minhas crises estão me assustando... Os choros demoram mais a passar e temo que o travesseiro não dê conta mais de ser meu consolador.. Não é que eu queira me abrir pra alguém e despejar meus medos e angústias (que estão me matando), acho sinceramente que ninguém merece viver ouvindo meus lamentos... Mas parece que chorar ultimamente não anda sendo suficiente. As lágrimas não estão mais conseguindo levar tudo pra fora, me lavar, me aliviar, como sempre fizeram. Agora o choro só serve para me deixar com o rosto inchado marcado pelas horas em que o soluço foi a minha única fala. 
Não é fácil ser assim... Foi uma escolha que fiz há muito tempo e eu sabia que iria ser difícil... Mas as vezes eu só queria poder contar com um colo que não me fizesse perguntas, que não me desse lição de moral por achar que sempre estou errada, um colo que só servisse para meu amparo, que me fizesse um carinho no cabelo e me dissesse "vai ficar tudo bem"... Mesmo eu sabendo que não vai ficar, mesmo eu sabendo que pode demorar... Mas custa muito alguém assim? Para parar de me julgar pelas minhas faltas, ou que ache que minhas faltas são justificativas para distrair de seus próprios erros? Será que amizade hoje vai se resumir a isso?
Sinto falta dos meus velhos amigos, ou dos momentos que costumava ter com os novos...
De repente, eu me vejo sozinha no chão de um banheiro, onde as lágrimas e a água se misturam, e o único barulho é o da água batendo em mim... Nem forças para chorar me restam mais... E o choro é por tudo. Mas principalmente por mim mesma... Por não ter descoberto ainda um rumo definitivo, e sem saber se este caminho que estou tomando, essa estrada em que estou me arriscando, é a que vai me levar para a felicidade no fim do dia... É a que vai fazer meu choro calar, e meu sorriso voltar a sair fácil de novo...
Eu quero achar graça de novo nas coisas bobas, achar até os dias nublados bonitos, achar que qualquer música é válida para um momento de festa...
Tô cansada de não enxergar mais as cores, de só ouvir zumbidos, de não conseguir sorrir genuinamente...
Saudades da minha vida antiga, quando as decisões eram fáceis, eram certas... E o choro era de alegria....

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