2 de dezembro de 2014

The Book Thief

Escrevendo ainda com algumas (muitas) lágrimas depois de assistir ao filme sobre a menina que roubava livros. Na verdade, eu estava assistindo mais por uma obrigação, pois ele cairá no vestibular desse fim de semana. Digo obrigação porque quem me conhece sabe da minha resistência em relação a ao livro que baseou o filme. Foi um livro que tentei ler pelo menos umas três vezes, e não consegui sair do mesmo lugar. Não me perguntem porque, mas não fiquei morrendo de amores pela história. E olha que eu sou uma pessoa apaixonada pela Segunda Guerra Mundial.
Calma, apaixonada no bom sentido. Não sou nenhuma admiradora de Hitler, pelo contrário, acredito piamente naquela história em que dizem que ele era um dos anti-Cristo que estavam anunciados por vir. Mas então, o filme mudou muita coisa. Para explicar melhor, vou esclarecer porque eu gosto (gostava, aliás) tanto da Segunda Guerra. Primeiro porque eu aprendi a estudar a II G.M. como uma matéria de história, e eu gostava de ver como a capacidade do ser humano em conseguir deslanchar acontecimentos por coisas "simples", como a morte "acidental" de um Duque dar início a maior guerra que esse planeta já presenciou (e dar origem ao nome de uma das minhas bandas favoritas, diga-se de passagem). Como as pessoas eram capazes de acreditar em alguém que dizia existir uma raça superior, até onde o ser humano era capaz de chegar pelo poder. Como um mundo inteiro parou, e se uniu, ou se odiou por isso. É a parte psicológica de tudo que me faziam passar horas estudando tudo isso. E eu sempre via colegas minhas dizendo que não aguentavam estudar essa matéria, porque era muito triste, ou as deixavam pesarosas. Minhas consciência chegava a pesar por não me sentir da mesma forma, mas foi então que percebi que sempre vi a II G.M. como números. Apenas números. 6 milhões de judeus dizimados, milhões de pessoas mortas, dinheiro, armas... Nunca pensei no que isso realmente significava, nunca pensei nas famílias que vivam naquela época e não escolheram viver tudo isso. Não que eu seja inocente para pensar que isso não existia e  era só uma história que meu professor contava tão bem na sala de aula. Era exatamente para não me envolver... 
Talvez por isso eu não quisesse me envolver com o livro, terminá-lo, ou dar uma chance para que ele me conquistasse. Porque o livro conta a historia vista de baixo, porque quem vivia em uma Alemanha que não escolheu viver, que não teve escolha, que não pode gritar pelo direito de liberdade. Eu não queria tornar aquilo tudo real para mim. Mas o filme acabou fazendo tudo isso. Foram 125 minutos que me fizeram repensar muita coisa... Principalmente pensar sobre aquelas pessoas que nunca nem souberam que foram perseguidas, ou quantas famílias foram destruídas pelo ao egoísta de apenas um homem. E ao contrário do que eu pensava, existiam pessoas que não se encantavam por seus discursos, mas era obrigados a engoli-los por amor à própria vida e à da família. 
Da para se perguntar sim onde estava Deus no holocausto, porque a crueldade era enorme... E olha que esse nem foi um dos temas principais do filme, na verdade, passa quase que abatido. Mas a história de Max definitivamente foi a que mais me comoveu... Deus estava com cada um desses judeus que foram perseguidos por sua fé, por acreditar em algo maior e não abrir mão disso. Morrer por um amor maior. Mesmo que as crenças dos judeus sejam diferentes da minha, mas eles tiveram fé e não desistiram, mesmo que sem chance de lutar.
Muitas vidas foram arrancadas e de forma injusta. Muitas coisas foram feitas quase que de forma irracional. A morte era quase que uma visita íntima nas casas das pessoas, e mesmo que não fosse convidada para entrar, ela foi implacável, e carregou tantos quanto podia. 
Eu não sei bem porque necessariamente resolvi escrever sobre o filme, mas eu queria de algo que e fizesse parar de chorar, e o filme foca muito nessas coisas... A forma como a leitura e a escrita salvam a vida daquela menina e daquele rapaz, definitivamente vão ficar gravados em mim. Talvez seja isso mesmo. Seja a escrita de alguma forma mantenha a minha "loucura" presa em alguém lugar, e não me faça perder no caminho. Assim como a minha fé. Que é meu alimento maior e é o que me faz levantar todos os dias, e me mostrar o dia lindo que me espera, sem guerras, sem lutas, sem medo, e princialmente com a minha liberdade... 

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